Prescrição de exercícios aeróbios e resistidos na hipertensão arterial.

pressao_alta

Também conhecida como pressão alta, hipertensão arterial é uma doença crônica que geralmente não apresenta nenhum tipo de sintoma a menos que algum órgão vital seja afetado. Esse aumento da pressão arterial é o resultado da contração das paredes das artérias, que provoca o aumento do trabalho do coração, dos rins e do cérebro e, por essa razão, cresce a probabilidade de infartos, doenças renais, derrames e aneurismas.

No Brasil, segundo dados da Vigitel 2010, a frequência de diagnóstico médico prévio de hipertensão arterial alcançou 23,3%, sendo ligeiramente maior em mulheres (25,5%) do que em homens (20,7%).

As principais medidas preventivas são a manutenção do peso ideal, a prática regular de atividade física e a redução da ingestão de sal e bebidas alcoólicas. Deve-se ainda seguir uma dieta saudável com baixo teor de gordura, principalmente as saturadas, baixo teor de colesterol e elevado teor de potássio e fibras.

Segundo as VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial de 2010, a pressão arterial considerada ótima tem valores inferiores a 120 mmHg da pressão arterial sistólica e inferiores a 80 mmHg da pressão arterial diastólica.

pressão

Na primeira avaliação em consultório, as medidas devem ser obtidas em ambos os braços e, em caso de diferença, deve-se utilizar como referência sempre o braço com o maior valor para as medidas subsequentes.

Em cada consulta deverão ser realizadas pelo menos três medidas, sugere-se o intervalo de um minuto entre elas. A média das duas últimas deve ser considerada a PA real. Caso as pressões sistólicas e/ou diastólicas obtidas apresentem diferença maior que 4 mmHg, deverão ser realizadas novas medidas até que se obtenham medidas com diferença inferior.A posição recomendada para a medida da pressão arterial é a sentada.

Por se tratar de uma doença silenciosa e que mata é imprescindível que qualquer indivíduo que esteja ingressando em um programa de atividades físicas estruturadas siga algumas orientações para elaboração de uma prescrição adequada dos exercícios, respeitando-se a individualidade biológica de cada praticante.

É necessário, antes de iniciar o programa, fazer uma anamnese para avaliação dos fatores de risco e executar um teste de esforço, sendo o ergoespirométrico o mais indicado, pois ele auxilia na detecção dos limiares ventilatórios usados para determinar a intensidade do treino. Entretanto, esse teste deve ser realizado preferencialmente em ambiente hospitalar, pois conta com a estrutura do hospital e a presença de um médico cardiologista que poderá diagnosticar qualquer alteração que porventura ocorra durante o teste.

Não é recomendado interromper a medicação durante o teste de esforço com objetivo de prescrição do exercício, pois o indivíduo estará sob os efeitos cardiovasculares do medicamento durante o treinamento.

A intensidade do exercício aeróbio será prescrita pelos limiares ventilatórios, fornecidos pelo teste ergoespirométrico. Na falta dessa avaliação, a intensidade pode ser determinada pela frequência cardíaca de reserva e, nesse caso, deverá variar entre 40% a 70% da frequência cardíaca de reserva ou de treino (utilizar a fórmula de Karvonen), com duração de 30 a 60 minutos por dia e frequência de 3 a 7 vezes por semana (ACSM, 2006).

Os exercícios aeróbios indicados são aqueles que envolvem a participação de grandes grupos musculares, realizados com movimentos cíclicos, como caminhadas, corridas, natação ou ciclismo.

Fórmula de Karvonen:

FCtreino = (FCmax – FCrepouso) x  %  + FCrepouso

Os exercícios aeróbios devem ser complementados com exercícios resistidos, incluindo de 8 a 10 exercícios, executando-se, em cada um deles, de 1 a 3 séries de 10 a 15 repetições até a FADIGA MODERADA, ou seja, o exercício deve ser interrompido quando a velocidade do movimento diminuir. A intensidade recomendada deve atingir por volta de 50% de 1RM. O treino pode ser feito em forma de circuito, alternando exercícios para membros superiores e inferiores, e as pausas devem ser longas, de 1 a 2 minutos, permitindo o retorno da pressão arterial inicial.

Além disso, deve-se evitar a manobra de Valsalva, responsável pelo aumento da pressão arterial, ou seja, deve-se interromper o exercício quando for observado apneia do executante.

Tanto na execução dos exercícios aeróbios quanto na dos resistidos é importante que os pacientes estejam medicados e com os níveis de pressão arterial controlados, abaixo de 160/106 mmHg.

Para controle da doença, além de seguir as recomendações, o treinamento deverá ser elaborado e acompanhado por um profissional de Educação Física, que aplicará a prescrição de forma eficaz e segura.

VEJA TAMBÉM MATÉRIA RELACIONADA: “Exercício físico reduz a pressão arterial” https://paulacavalcantepersonal.wordpress.com/2012/07/15/exercicio-fisico-reduz-a-pressao-arterial/

Texto: Profa. e  Personal Trainer Paula Cavalcante

São Paulo

Referências:

1 – Diretrizes do ACSM para teste de esforço e sua prescrição – American College of Sports Medicine. 8a ed., 2010;

2 – Vigitel 2010;

3 – Sociedade Brasileira de Cardiologia / Sociedade Brasileira de Hipertensão / Sociedade Brasileira de Nefrologia. VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão. Arq. Bras. Cardiologia,95 (1 supl.1): 1-51, 2010.

4 – Vanzelli A. S. et al. “Prescrição de exercício físico para portadores de doenças cardiovasculares que fazem uso de betabloqueadores” Rev. Soc. Cardiol. Estado de São Paulo,v.15,n.2 (supl A), março/abril de 2005;

5 – Negrão, C. E. e Barretto A. C. P. “Cardiologia do Exercício, do atleta ao  cardiopata”. 3.ed. São Paulo: Manole, 2010.

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