A atividade física pode regredir a aterosclerose

Aterosclerose é uma doença crônica que surge no interior das artérias em resposta a algum estímulo recebido, como o fumo ou o colesterol aumentado no sangue, provocando lesões nos vasos e facilitando o depósito de substâncias gordurosas, dentre elas o colesterol. Essas substâncias se calcificam e formam placas de gordura chamadas ateroma.
As placas de gordura vão crescendo lentamente e são responsáveis pela diminuição dos vasos reduzindo o fluxo sanguíneo para os órgãos como coração, cérebro e rins, além de braços e pernas. A doença vai se agravando silenciosamente e só apresenta sintomas quando os vasos estão muito estreitos.
Essas placas podem se romper produzindo um coágulo de sangue (trombo) e obstruir subitamente o vaso, causando complicações como o infarto do miocárdio, por exemplo.
A formação de ateromas ocorre desde a infância e progride ao longo da vida. Qualquer indivíduo pode desenvolver a doença, entretanto, os mais atingidos são aqueles com pré-disposição genética, colesterol alto, hipertensão, diabetes, obesidade e usuários do tabaco. Dor no peito, dores de cabeça muito intensas, dores nos braços e pernas podem ser sintomas da aterosclerose.
Os homens na fase adulta tem maior probabilidade de desenvolver a doença e nas mulheres ocorre mais após a menopausa, sugerindo que os hormônios femininos oferecem proteção.
O aumento do LDL (lipoproteína de baixa intensidade) é um importante sinalizador da doença. O LDL se eleva principalmente devido a obesidade, ao sedentarismo e a ingestão elevada de gorduras saturadas, a maioria de origem animal, e a presença dele no sangue em níveis elevados pode ocasionar uma disfunção no endotélio (camada celular interna das artérias), favorecendo a formação de ateromas.
Um estudo realizado em Harvard acompanhou os níveis de colesterol em mais de mil estudantes por mais de 40 anos e constatou que o grupo que tinha níveis de colesterol aumentado teve maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares do que o grupo que apresentou níveis normais de colesterol.
É importante destacar que níveis reduzidos de HDL, o colesterol bom, também estão relacionados ao aumento do risco. Em contrapartida, o risco de desenvolver a doença diminui quando o indivíduo apresenta uma concentração elevada de HDL e isso ocorre porque o HDL é capaz de absorver partículas de colesterol que começam a ser depositadas nas paredes das artérias.
A adoção de um estilo de vida saudável é a medida mais importante na prevenção da doença que inclui fazer atividades físicas regularmente, evitar o tabaco e optar por uma dieta com baixo teor de colesterol e rica em gorduras insaturadas.
Aliado a isso, exames periódicos para acompanhar o nível de colesterol no sangue são extremamente indicados e a medicação pode ser prescrita caso o risco seja muito alto.
No entanto, apesar da importância da prevenção, um estudo realizado com 147 milhões de pessoas em 2011 e publicado no Boletim da Organização Mundial de Saúde mostrou que a maioria das pessoas com níveis elevados de colesterol não está recebendo o tratamento necessário para reduzir o risco de doença cardiovascular.
Na Tailândia, por exemplo, 78% dos adultos pesquisados não tinham sido diagnosticados, enquanto no Japão, 53% dos adultos foram diagnosticados, mas permaneceram sem tratamento.
Alguns estudos demonstram que a regressão de lesões ateroscleróticas coronarianas pode ocorrer por meio de medicação, redução do consumo de gordura e exercício físico.
Um estudo interessante de origem alemã dividiu os pacientes em dois grupos, um grupo controle que não fez atividade física e um grupo de intervenção. Após 12 meses de participação, os grupos repetiram a angiografia coronariana e chegaram ao seguinte resultado:

1 – No grupo de intervenção:
Regressão da doença: foi observada em 28% dos pacientes;
Progressão: em 10%;
Nenhuma mudança na morfologia coronária: em 62%.

2 – No grupo controle:
A aterosclerose progrediu a uma taxa significativamente mais rápida nesses pacientes.
Regressão: em 6%.
Progressão: em 45%,
Nenhuma mudança: em 49%

O estudo observou ainda que são necessárias 1.533 kcal/semana em atividades físicas para impedir a progressão de lesões ateroscleróticas coronarianas enquanto que a regressão das lesões foi observada em pacientes que gastaram em média 2.200 kcal/semana em atividade física de lazer, que corresponde a aproximadamente 5 a 6 horas/semana de exercício físico regular.
A aterosclerose é uma doença preocupante e pode ser fatal, porém, é possível reduzir quase todos os fatores de risco, exceto o genético. Evitar o cigarro, fazer atividades físicas regulares e manter uma dieta saudável são medidas que ajudam na prevenção e regressão dessa doença.

VEJA TAMBÉM MATÉRIA RELACIONADA: Dislipidemia e atividade física
Link:https://paulacavalcantepersonal.wordpress.com/2012/06/25/dislipidemia-e-atividade-fisica/

Texto: Profa. e Personal Trainer Paula Cavalcante
São Paulo

Referências:
1 – Boletim da Organização Mundial de Saúde http://www.who.int/mediacentre/news/notes/2011/cholesterol_20110201/en/index.html
2 – R Hambrecht et al. Various intensities of leisure time physical activity in patients with coronary artery disease: effects on cardiorespiratory fitness and progression of coronary atherosclerotic lesions, J Am Coll Cardiol, 22:468-477, 1993.

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