Dislipidemia e atividade física

Dislipidemia é um quadro clínico caracterizado por concentrações anormais de lipídios (gorduras) e lipoproteínas no sangue e essas alterações do colesterol total, colesterol LDL, colesterol HDL e triglicérides são considerados fatores de risco modificáveis para o surgimento de doenças cardiovasculares, como a hipertensão arterial, o infarto, o derrame e a aterosclerose. Além disso, altos níveis de triglicérides sanguíneos estão relacionados à incidência de pancreatite aguda.
A Organização Mundial da Saúde estima que mais de 17 milhões de pessoas morra por ano vítimas de doenças cardiovasculares relacionadas ao alto nível de colesterol no sangue. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, 30% da população têm níveis elevados de colesterol.
Vários fatores são responsáveis pelas alterações nas concentrações dos lipídios sanguíneos, como o aumento de peso, dieta inadequada (rica em colesterol, gorduras saturadas e gorduras trans), sedentarismo, uso de alguns medicamentos e a presença de algumas doenças que interferem no metabolismo, como a diabetes e o hipotireoidismo. Entretanto, a dislipidemia pode surgir também proveniente de fatores genéticos que, em alguns casos, só se manifestam quando há influência ambiental.
O diagnóstico é feito por meio de um exame de sangue para verificação dos níveis plasmáticos de colesterol total, LDL, HDL e triglicérides.

A dislipidemia normalmente não causa sintomas, mas pode levar à doença vascular, incluindo a doença arterial coronariana e doença arterial periférica.
A correlação entre dislipidemia e aterosclerose é mundialmente aceita pela comunidade científica, portanto, a detecção precoce de níveis séricos elevados de colesterol em pessoas assintomáticas é extremamente importante, pois permite modificar o fator de risco para a doença arterial coronariana.
A aterosclerose constitui um dos maiores problemas de saúde pública em muitos países porque grande parte dos indivíduos com dislipidemia não são identificados.
Pesquisadores do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp analisaram durante oito anos os resultados de colesterol e de triglicérides no sangue de aproximadamente 2 mil crianças e adolescentes entre 2 e 19 anos atendidos no Ambulatório de Dislipidemias e em ambulatórios especializados do HC.
Das crianças entre 2 e 9 anos, 44% apresentaram valores alterados para o colesterol total, 36% para o LDL-colesterol e 56% para triglicérides. Entre os adolescentes de 10 e 19 anos, 44% apresentaram alterações para o colesterol total, 36% para o LDL-colesterol e 50% para triglicérides. A pesquisa também indicou que houve uma redução de HDL-colesterol em 44% das crianças e em 49% dos adolescentes.
Esse resultado indica que a prevenção deve começar na infância, podendo, consequentemente, retardar a progressão da aterosclerose e de suas complicações principalmente cardiovasculares.
O tratamento medicamentoso é indicado desde o início do tratamento em pacientes com índices de colesterol LDL extremamente elevados e aqueles com alto risco cardiovascular. Entretanto, além do acompanhamento médico, modificar o estilo de vida é o melhor tratamento para a dislipidemia e isso inclui mudar a dieta, preferindo alimentos com baixo teor de gordura saturada e colesterol, manter o peso adequado, não fumar, evitar bebidas alcoólicas e praticar atividades físicas regularmente.
A prática de atividade física regular ajuda a reduzir a gordura corporal total e a equilibrar os níveis de colesterol e triglicérides, além de aumentar o HDL (colesterol bom) na maioria dos indivíduos e para prevenção e tratamento da dislipidemia é recomendado fazer exercícios aeróbios, de força e flexibilidade.
O American College of Sports Medicine recomenda a realização de, no mínimo, 30 minutos de atividade física aeróbia, contínua ou acumulada, de intensidade moderada, realizada de preferência todos os dias da semana.
Essa recomendação é direcionada à população geral com o objetivo de prevenir doenças crônicas e manter a saúde, no entanto, para que os efeitos sejam maximizados, devem-se levar em consideração alguns fatores como o nível de condicionamento físico, os objetivos e o histórico do praticante. Portanto, melhores resultados são atingidos se a atividade física for planejada de forma individualizada.

VEJA TAMBÉM MATÉRIA RELACIONADA: A atividade física pode regredir a aterosclerose.
Link: https://paulacavalcantepersonal.wordpress.com/2012/06/05/a-atividade-fisica-pode-regredir-a-aterosclerose/

Texto: Profa. e Personal Trainer Paula Cavalcante
São Paulo

Referências:
1 – Santos J.E. et al. Consenso Brasileiro Sobre Dislipidemias Detecção, Avaliação e Tratamento Arq Bras Endocrinol Metab v.43 n.4 São Paulo, 1999
2 – III Diretrizes Brasileiras Sobre Dislipidemias e Diretriz de Prevenção da Aterosclerose do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Arq Bras Cardiol, volume 77, (suplemento III), 2001.
3 – Jornal da UNICAMP: http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/outubro2008/ju413_pag07.php

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s