Evolução histórica da obesidade e de outras doenças crônicas no Brasil

evolução do homem

As doenças crônicas, também consideradas doenças não transmissíveis, têm crescido a níveis alarmantes nos últimos anos, propagadas pela influência da sociedade e, dentro desse contexto, torna-se importante destacar a obesidade, considerada “gatilho” para outras doenças crônicas como a diabetes tipo II, a hipertensão e alguns tipos de câncer.

Historicamente, fica evidente que o início do aumento dos fatores de risco para a evolução das doenças crônicas começou a partir de 1950 quando a indústria tornou-se o setor mais importante da economia brasileira.

Diversos fatores como o aumento da participação feminina no mercado de trabalho, o tempo de deslocamento imposto pelo trânsito, o ritmo acelerado das grandes cidades, a ampliação do uso de alimentos industrializados, o crescimento na oferta de refeições rápidas (fast food), têm dificultado a execução das refeições no domicílio.

Ainda como consequência da industrialização, verificamos o inchaço das cidades, principalmente das grandes metrópoles. Em 1970 os moradores das áreas urbanas representavam 58% da população e em 2000, segundo dados do Censo, 81% da população residiam nos aglomerados urbanos.

O acúmulo de pessoas e a falta de infraestrutura adequada gerou um crescimento desordenado levando à ocupação de locais inadequados para a moradia. Consequentemente, não houve “tempo” suficiente para um planejamento urbano e de transportes adequados e o desenho das cidades desencorajou a população a fazer atividade física, como caminhar ou andar de bicicleta.

Entendemos que cada indivíduo tem o livre arbítrio para escolher seus próprios hábitos, porém, essas escolhas têm alicerces na construção social que elas têm durante a vida. Seguindo essa linha de raciocínio, percebemos que as pessoas não têm doenças crônicas porque querem, mas existem diversos fatores sociais que as rodeiam desde a infância e que influenciam no surgimento dessas doenças sem que elas tenham consciência disso.

Essa reflexão é extremamente importante, pois para que ocorra uma mudança efetiva no estilo de vida do indivíduo é necessário que haja uma conscientização acerca do contexto no qual ele está inserido.

Dados mais recentes da Vigitel Brasil 2011 constataram que 48,5% da população brasileira estão com excesso de peso, ou seja, o IMC alcança valor igual ou superior a 25 kg/m2. A obesidade, no entanto, é diagnosticada a partir do IMC de 30 kg/m2 e a frequência de adultos obesos na pesquisa foi de 15,8%.

É importante destacar que tanto o sobrepeso quanto a obesidade elevam os riscos de doenças crônicas e estão diretamente associados à alimentação inadequada e ao sedentarismo.

Uma pesquisa realizada no último trimestre de 2012 concluiu que uma em cada três pessoas (29%) que moram na cidade de São Paulo está acima do peso ideal. Esta pesquisa foi realizada pelo Programa “Meu Prato Saudável”, do Hospital das Clínicas e do Instituto do Coração, e a LatinMed Editora em Saúde.

Durante o estudo, uma equipe fez a avaliação nutricional de 15 mil pessoas, sendo 12,1 mil mulheres e 3,9 mil homens em mutirões realizados em estações do Metrô, no parque do Ibirapuera e no chamado Quadrilátero da Saúde, onde está localizado o Hospital das Clínicas.

Do total de pessoas avaliadas, 19% tinham obesidade grau 1 (forma mais leve), 7,2%, obesidade grau 2 e 2,7% a obesidade grau 3 ou obesidade mórbida. Além disso, 37,4% dos participantes da pesquisa tinham sobrepeso, totalizando 66,4% de pessoas acima do peso ideal.

Observando esses dados, fica evidente que a aquisição de hábitos não saudáveis, constituída como fatores de risco para o surgimento de doenças crônicas, interfere na estrutura do nosso lar e da nossa família até os dias de hoje, existindo ainda um prognóstico desanimador se nenhuma medida for adotada como a implementação de projetos e programas inter setoriais por parte dos governos e das organizações sociais e que tenham metas bem definidas que levem a uma redução na velocidade do crescimento da prevalência do sobrepeso e obesidade, possibilitando uma vida mais saudável para toda a população.

recomendações American College

Texto: Profa. e Personal Trainer Paula Cavalcante

São Paulo

 

Referências:

1 – Caderno de atenção básica – Ministério da Saúde – http://www.prosaude.org;

2 – Vigitel 2011 – Ministério da Saúde;

3 – Portal do Governo do Estado de São Paulo -http://www.saopaulo.sp.gov.br;

4 – Mendonça C.P. e Anjos L.A. Aspectos das práticas alimentares e da atividade física como determinantes do crescimento do sobrepeso/obesidade no Brasil. Cad. Saúde Publica, Rio de Janeiro, 20(3): 698-709, mai-jun, 2004.

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